segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um brinde à tradição


Redes de botequins abandonam a padronização para voltar a crescer


Fonte: Rodrigo Aör - Revista Veja
Neste século, o carioca assistiu à invasão das redes dos botequins chamados pés-limpos, com decoração padronizada, serviço eficiente e, fundamental, banheiros limpos. Bastava abrir uma casa assim que era lotação garantida. A fórmula, porém, começa a dar sinais de saturação. Em 2000, as principais redes da cidade possuíam oito estabelecimentos. Oito anos depois, elas reuniam 47 endereços, que agora, em 2009, caíram para 42 (veja abaixo).

Por toda a cidade - Os bares e sua quantidade de filiais

Botequim Informal 11
Manoel & Juaquim 10
Devassa 10Belmonte 7
Conversa Fiada 4

A bolha do chope estourou, e o mercado passa por uma arrumação. "A concorrência é enorme", constata Roberto Zaccaro, sócio do Espelunca Chic, que desde 2006, quando foi inaugurado, fechou sete dos seus oito pontos. Para atrair a clientela, os bares se reinventam e buscam o caminho inverso da regra até então consagrada da pasteurização. O Botequim Informal e o Belmonte, duas das maiores cadeias da cidade, investiram recentemente em casas diferentes daquelas cujo padrão ajudaram a consagrar. História exemplar foi a compra da Casa Brasil pelo dono do Belmonte, Antônio Rodrigues. Sua ideia inicial era abrir mais uma filial da marca. Porém, diante dos protestos da antiga freguesia, manteve o nome e a identidade original do bar. O recém-adquirido Cevada, em Copacabana, vai pelo mesmo caminho.

Além de certo desgaste no modelo, a redução do consumo de bebidas alcoólicas, em decorrência da Lei Seca, é outro fator que tem atrapalhado as grandes redes. No Conversa Fiada da Barra da Tijuca, o primeiro da famosa franquia, a queda na receita chegou a 60%. "Não sou contra a fiscalização, mas há sempre um balão branco da Lei Seca aqui em frente", reclama o proprietário André Silva, referindo-se às ações da polícia realizadas no local. Com o carioca mais comedido na perigosa combinação bebida e volante, os chamados bares de bairro - menos sofisticados, mas com grande tradição – voltaram a ganhar espaço. "O Bracarense e o Jobi mostram a importância do envolvimento com o cliente. Nos botecos com filiais, a relação é mais fria", opina o empresário Daniel Guerbatin, citando dois estabelecimentos que não se multiplicaram pela cidade. Ex-sócio do Espelunca Chic, Guerbatin é um dos mais novos seguidores da nova tendência. Ele abandonou de vez o estilo mais padronizado ao lançar em Ipanema o Barthodomeu, cujo nome já diz tudo.

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